Num domingo qualquer, alguém desligou o Windows.
Não por raiva, nem por moda. Mas por cansaço.
Cansou-se de reiniciar para atualizar.
De permissões que pedem desculpa por existir.
De janelas que mais prendem do que abrem.
E então, no canto da mesa, uma TV Box esquecida virou rebelde.
No colo, um console portátil — daqueles feitos para jogar,
mas que sonham em ser mais.
E no centro da revolução silenciosa.
um sistema feito em código livre,
mas com alma de jogador, de hacker, de curioso.
Não há gritos nessa revolução.
Só cliques suaves, comandos diretos,
e uma sensação de que agora é você quem pilota a máquina.
Nada de shadersistemas quebrados.
Nada de sistemas que te olham de cima.
Aqui, o Linux te convida a dançar — sem manual, mas com propósito.
E é estranho como tudo funciona.
Até Doom roda melhor.
A ventoinha respira em paz.
O tempo de bateria vira poesia.
Menos medo de travar, mais vontade de explorar.
A tecnologia, quando livre, não é só ferramenta,
é território.
E o primeiro passo fora do império do Windows,
pode ser tão simples quanto dar play em um vídeo do YouTube.
No toque de uma tela, no sopro de um comando.
Porque a liberdade não começa em revoluções ruidosas.
Começa no sussurro de quem ousa dizer:
não preciso mais disso.
E quando isso acontece, até uma TV Box ganha alma.
E o mundo, quem diria, começa de novo, no silêncio do Linux.
Por Edson J. Novaes + Noésis